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A Estrutura mais do que Fragmentada de Profissionais de Design EditorialFelipe Tofani on 06/05/2017

Como a fragmentação da profissão pode limitar sua carreira como designer
Já ando trabalhando como designer há muito tempo e uma coisa que ando percebendo nos últimos anos é como que os títulos usados por profissionais do design anda cada vez mais fragmentada. Se antes eu via muitas vagas que usavam do termo Diretor de Arte como um chamariz, hoje em dia, eu vejo títulos que, muitas vezes, não fazem sentido algum e parecem ter sido criados por alguém de Recursos Humanos ou por alguém completamente fora do que é design hoje em dia.

Já ando trabalhando como designer há muito tempo e uma coisa que ando percebendo nos últimos anos é como que os títulos usados por profissionais do design anda cada vez mais fragmentada. Se antes eu via muitas vagas que usavam do termo Diretor de Arte como um chamariz, hoje em dia, eu vejo títulos que, muitas vezes, não fazem sentido algum e parecem ter sido criados por alguém de Recursos Humanos ou por alguém completamente fora do que é design hoje em dia.

Designer Digital, Estagiário em Design, Web Designer, Designer de Interação, UI Designer, UI/UX Designer, Diretor de Arte Pleno, Product Designer, Front End Designer, Analista de UX, Visual Designer. Esses foram alguns dos muitos títulos que vi quando passei alguns minutos procurando por vagas de design no Trampos.

Vendo isso tudo, fiquei pensando em algumas coisas. Um Designer Digital não é quase a mesma coisa que um Designer de Interação? Que não é a mesma coisa do que um UI Designer? Um UI/UX Designer não seria, também, um Product Designer? Um Front End Designer não seria um UI Designer? E o Visual Designer não faria tudo isso acima? Qual o papel do Diretor de Arte quando tudo que ele faria está sendo feito por outra pessoa?

Fico imaginando que, para alguém fora do mercado, essas diferenças são meio complicadas de se entender. Porém meu maior problema não é com aqueles fora do mercado e sim com aqueles que estão entrando no mercado agora e não saberiam bem onde entrar e como descrever aquilo que eles fazem e o que gostariam de fazer. Afinal, é bem complicado conseguir a experiência de mercado certa e conseguir construir um portfólio relevante quando você só consegue encontrar definições de design que não apontam para nenhum lugar concreto.

Esse fenômeno não acontece só no Brasil não. Aqui em Berlim, o mercado de design consegue ser tão confuso quanto o que eu consegui enxergar no Trampos. É só você olhar em sites como o Design Made in Germany, Jobspotting e Berlin Startup Jobs que você vai ver que as coisas não são das mais simples. E não é só na busca por empregos que todos esses títulos deixam tudo bem complicado. Deixa eu contar uma história.

Ano passado, sai de uma empresa onde trabalhava como UI/UX Designer, um título que explicava um pouco do que eu fazia. Anteriormente, meu título era algo como Product Designer. Algo que, pelo menos para mim, significa a mesma coisa. Quando comecei a procurar empregos, costumava entrar em contatos com algumas empresas falando sobre o que eu sabia fazer e como eu já tinha trabalhado antes. Uma dessas empresas entrou em contato comigo e, durante os primeiros minutos de uma entrevista por Skype, eu tive que explicar quais seriam as diferenças entre UI e UX sendo que a pessoa do RH, do outro lado da linha, não tinha nenhuma idéia do que essas duas siglas significam.

Acredito que temos dois motivos pelos quais essa fragmentação anda ocorrendo. Uma delas é a grande demanda por profissionais de design especializados e a outra é a glorificação de títulos. Além disso, venho acompanhando um movimento grande onde o processo de design acaba se tornando quase que uniforme. As paredes das empresas onde trabalhei aqui em Berlim se tornam imãs de post its onde personas são criadas e explicadas e wireframes são expostos como posters.

Além disso, esse processo de design se torna tão fragmentado que uma pessoa se torna responsável pelo UX. Outra pessoa faz wireframes e outra pessoa acaba fazendo interface. Mais tarde, um visual designer faz uma versão de alta fidelidade dessa interface e passa tudo para quem vai fazer o front end. Mas, quando algo dá errado nesse processo, você não sabe para onde ir e tudo estagna. Não sei para você mas, para mim, esse processo criativo torna tudo burocrático, lento e nada eficaz. Mesmo assim, vejo cada vez mais empresas fazendo algo assim.

Antes de mudar para a Alemanha e começar a trabalhar mais focado na área de tecnologia, minhas experiências em São Paulo e Belo Horizonte eram quase que sempre como Diretor de Arte. Nessa função, alguém me explicava um problema e eu criava uma solução visual para resolver esse problema que poderia ser uma nova campanha, um site para ajudar a divulgar um novo produto ou uma identidade visual para um serviço que seria lançado em breve. Com essa experiência, acabei aprendendo a questionar o que eu precisava entregar e indo em diversas direções para resolver esse problema da melhor forma possível. Acabei aprendendo muito durante esses anos e, é por isso mesmo que, vejo essa fragmentação de uma forma negativa.

Quando li o Design in Tech Report do John Maeda há algumas semanas, fiquei me questionando sobre um título que vi por lá que pareceu muito próximo daquilo que faço hoje em dia. Esse título é o dia Computational Designer. E, por mais que eu goste do conceito por trás dele, fico imaginando se não estamos complicando tudo. Afinal, baseado nas palavras de Massimo Vignelli: Se você pode fazer o design de uma coisa, você pode fazer o design de tudo. Livre tradução de "If you can design one thing, you can design everything.”Quando li o Design in Tech Report do John Maeda há algumas semanas, fiquei me questionando sobre um título que vi por lá que pareceu muito próximo daquilo que faço hoje em dia. Esse título é o dia Computational Designer. E, por mais que eu goste do conceito por trás dele, fico imaginando se não estamos complicando tudo. Afinal, baseado nas palavras de Massimo Vignelli: Se você pode fazer o design de uma coisa, você pode fazer o design de tudo. Livre tradução de “If you can design one thing, you can design everything.”

Para mim, um designer precisa entender o que é o problema que ele vai resolver, quais os materiais que ele vai usar e qual o potencial dessa solução. Afinal, se você só examina o problema a ser resolvido, você não vai conseguir pensar numa solução definitiva. Se você só trabalha na implementação dessa solução, você não sabe muito sobre o porquê de tudo que você está fazendo. E se você apenas visualiza aquilo que poderia ser uma solução, você nunca vai entender direito o problema que está sendo resolvido.

Sei que tudo isso parece bastante complicado mas acredito que pode ser mais simples no mundo real do que em um artigo como esse. Afinal, usando o exemplo de Massimo Vignelli, isso já aconteceu antes e não apenas uma vez. Mas vamos falar primeiro sobre esse grande designer italiano. Seu portfólio inclui trabalhos de design de interiores, embalagens, design gráfico, design de móveis e produtos. Ele ficou famoso pelo mapa do metrô de Nova Iorque mas ele nunca ficou apenas nisso.

Um exemplo mais atual dessa variedade de trabalho fica com os russos do Art. Lebedev Studio que, desde 1995, andam trabalhando com design de produtos, urbanismo, design gráfico, sites e interfaces de software, tipografia e design editorial. Tudo isso na mesma empresa e sem limites artificiais colocados. As soluções que eles criam são independentes de materiais e baseadas na necessidade que cada problema demanda. Algo que eu gostaria de ver cada vez mais por ai.

Um exemplo mais atual dessa variedade de trabalho fica com os russos do Art. Lebedev Studio que, desde 1995, andam trabalhando com design de produtos, urbanismo, design gráfico, sites e interfaces de software, tipografia e design editorial. Tudo isso na mesma empresa e sem limites artificiais colocados. As soluções que eles criam são independentes de materiais e baseadas na necessidade que cada problema demanda. Algo que eu gostaria de ver cada vez mais por ai.

Fico imaginando que, se Art. Lebedev Studio e Massimo Vignelli podiam fazer isso tudo, porque é que nos limitamos a fazer sites e apps e identidades visuais se podemos trabalhar sem limites? Fico imaginando como que poderíamos trabalhar melhor se nos livrássemos das nossas pré-definições e dos nossos títulos e fôssemos resolver problemas como designers.

Fico imaginando que, se Art. Lebedev Studio e Massimo Vignelli podiam fazer isso tudo, porque é que nos limitamos a fazer sites e apps e identidades visuais se podemos trabalhar sem limites? Fico imaginando como que poderíamos trabalhar melhor se nos livrássemos das nossas pré-definições e dos nossos títulos e fôssemos resolver problemas como designers.

E eu acredito que todos podem fazer essa mudança na suas carreiras. Não soa como algo simples mas considere isso como um projeto de médio a curto prazo. Coloque sua carreira como designer como seu projeto mais importante. Seja curioso e aprenda sobre tudo. Não pare de aprender e pesquisar sobre aquilo que te interessa. Tenha como o objetivo o aprendizado perpétuo e tente um pouco de tudo, sem limites.

Procure uma empresa que permita que você experimente. Procure desenvolver um ambiente de trabalho onde você e seus colegas possam experimentar soluções diferentes, em materiais diferentes. Ou, se isso tudo não funcionar, desenvolva algo completamente novo.

Esse não pode ser a forma mais fácil de se aprimorar como designer ou de desenvolver novas técnicas mas eu acredito que essa é a forma mais interessante de se tornar um profissional melhor. Em todas as formas possíveis. Pode não ser um caminho fácil mas ele vai ser o mais interessante. E, o melhor disso tudo, é que você mesmo que criou o seu caminho.


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