Uma conversa com Doug Alves

dousgalves_nacionale

Se você não conhece o trabalho de Doug Alves, tem alguma coisa errada com você. Mas isso vai ser resolvido com essa entrevista que ele me concedeu via e-mail na semana passada.

Quem é Doug Alves e o que você faz de bom?

Eu sou um cara simples, apaixonado pelo que faço, vivo trabalhando e estudando, sou bastante persistente e é dificil eu decidir das coisas, to sempre lá, faça chuva, faça sol. Tenho feito bastante coisas legais ultimamente, uma delas foi minha visita ao Brasil que passei com minha família e amigos, estava com saudades.

Para aqueles que não tem nem ideia do que você faz, poderia falar algum dos vários projetos que você participou? Qual aquele que você mais se orgulha?

Acho que todos os projetos a gente sempre coloca novas expectativas p/ fazer um trabalho melhor, é dificil escolher apenas um, mas posso falar de alguns que foram bom p/ meu crescimento profissional. Acho que a peça bird que fiz para o livro semi permanent foi o começo de tudo p/ mim, foi quando me encontrei e achei um estilo p/ ir em frente. Outra peça que foi importante foi p/ agência The Cement de NY onde eu comecei a misturar meu estilo com fotografia. E por fim a Mari typeface que levei mais tempo fazendo e me traz trabalhos até hoje.

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Seu trabalho tipográfico tem uma referência natural e orgânica muito forte. Como você chegou a esse estilo e o que te inspira para esse tipo de criação?

Depois da peça que fiz p/ Semi Permanent eu comecei a ilustrar mais animais, acabei por fim tendo muito mais contato com a natureza e estudando mais e mais. É um estilo que tava por sair, eu nasci em São Paulo mas sempre passei as férias em Minas Gerais, lembro de brincar muito em fazendas e de passar dias na casa do meu vô que era um amante de passáros.

Acho que essas coisas ficam dentro da gente esperando a hora certa p/ aparecer. Hoje em dia eu tento voltar no tempo quando vou ilustrar p/ me inspirar mas também sou apaixonado pela riqueza de detalhes que a natureza tem.

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Você já mora nos Estados Unidos tem um tempo, como foi sair do Brasil e ir trabalhar fora?

Nos primeiros meses a sensação é muito boa, novos caminhos para explorar e novas coisas por vir mas acho que depois de um tempo as coisas ficam mais complicadas por tudo ser bastante regrado e planejado. Eu tive e tenho que lidar com isso até hoje.
Eu acho que o brasileiro é muito bom em improvisar, criar, inovar e as vezes dependendo do processo, pode cortar um pouco
dessas qualidades que o brasileiro tem. Mas tem sido uma experiência muito boa, já me sinto adaptado. Sinto falta da comida brasileria e do brasileiro, é um povo muito feliz e amigavel.

Como isso influenciou no seu trabalho?

Acho que influenciou positivamente falando de trabalho, eu sempre tive planos de seguir ilustrando mesmo aqui nos Estados Unidos, e acabei tendo mais espaço aqui, meu trabalho começou ser mais visto e ajudou p/ continuar ilustrando comercialmente também.

Existe um mito de que trabalhar fora do Brasil é uma coisa fenomenal e todos os jobs são maravilhosos. Como é a realidade de agência ai?

A realidade é diferente, acho que não existe um lugar onde todos os jobs são maravilhos, acho que até tive jobs mais legais no Brasil quando estava trabalhando em agência. A liberdade que as agências no Brasil proporcionam é muito maior, deixa você muito mais leve na hora de criar. Como eu trabalho mais fazendo ilustração eu compensava essa falta de liberdade em casa mas foi dificil no começo lidar com isso.

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O que você mais gosta no seu trabalho? E aquilo que você menos gosta?

O que eu mais gosto é prazo bom e o que eu menos gosto é prazo curto.

Um problema de vários designers é a falta de inspiração. Mas já acompanho seu portfólio e trabalho há alguns anos e cada dia que passa seu trabalho parece mais inspirado e sofisticado. Qual é o seu segredo?

Eu procuro estudar bastante e sempre pensar positivo sobre meu trabalho, é uma coisa que gosto muito de fazer então estou sempre cuidando dessa parte, analisando, criticando, experimentando. Não da p/ parar hoje em dia, tem sempre que ter algo novo ou aprimorado, mas acho que quando se faz tudo com paixão, dedicação acaba tudo dando certo.

O fato de eu estar respondendo essa pergunta agora já é um retorno legal de tudo isso, fico feliz de saber que acompanha meu trabalho há tempos.

Se você não fosse designer/ilustrador, o que você se imagina fazendo?

Putz, eu amo documentários, eu tentaria algo dentro disso. Mas não consigo me imaginar fazendo outra coisa do que ilustrando hoje em dia.

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Alguma dica para quem quer ir trabalhar fora do pais ou mesmo para quem está começando agora?

Acho que p/ trabalhar fora hoje em dia está melhor, as portas estão mais abertas. Acho que precisa só focar em um portfolio legal e comercial. O brasileiro ta bem visto aqui fora.

Sempre fico curioso sobre as fontes de inspiração de um designer: uma banda, um filme, um livro, um artista

Banda – Quarteto Novo
Filme – Three Seasons
Livro – Nova Antologia Poética ( Vinicius De Moraes)
Artista – Hieronymus Bosch

E fechando essa entrevista, você pode fazer o download de 2 wallpapers de 1680×1050 com um estilo do Doug Alves que eu acho maravilhoso.

doug alves e um de seus wallpapers

doug alves e um de seus wallpapers

Quer saber mais sobre o Doug? Acompanhe seu twitter, leia seu blog e babe no seu portfolio.

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