PixelShow 2009

O PixelShow já aconteceu tem alguns dias mas só hoje que consegui colocar as coisas em ordem e criar o que eu poderia chamar de review do evento. Vamos por partes então, falarei das palestras baseado nas minhas anotações e depois vou soltar uma crítica generalizada sobre o evento e tudo aquilo que vocês viram lá na FECOMÉRCIO.

Rico Lins at Pixel Show 2009

Sábado, primeiro dia de Pixelshow e abrimos o dia com o trabalho de Rico Lins. Apesar de ele ter tido que não faria uma palestra baseada apenas na mostra de seus trabalhos, ele acabou fazendo exatamente isso. O que foi bom já que o trabalho dele é bem interessante apesar de lembrar muito o trabalho de design gráfico que viámos nos anos 90. Rico Lins mostrou alguns trabalhos para a Jazz Sinfônica, o projeto Brasil em Cartaz que fez junto com a Gráfica Fidalga, e alguns outros projetos mas o meu favorito é a mostra Conexões que está em cartaz no Sesc Pompéia e vale a pena visitar. Meu problema com a palestra de Rico Lins foi que, por melhor que seja seu trabalho, ele soava mais como um artista mostrando seu trabalho do que como um designer. Não que isso seja um problema mas preferi deixar isso aqui como nota mental. Tanto que nas minhas notas aqui, encontro a seguinte pergunta: Rico Lins fala sobre artes gráficas, sobre exposições com seu trabalho. Mas deixa espaço para uma pergunta, ele se considera designer ou artista? E como ele diferencia essas duas coisas?

Diguinho at Pixel Show 2009

Diguinho fechou a manhã de sábado com uma palestra interessante apesar de meio perdida as vezes. Como se ele precisasse de alguém para guiar seu raciocínio em alguns momentos. Diguinho é tatuador e mostrou como começou nessa vida de artista. Mostrou seus trabalhos como grafiteiro, mostrou como ele aprendeu copiando os trabalhos de outras pessoas, falou sobre o mercado de tatuagem aqui em São Paulo e contou como que funcionou para ele acabar entrando nesse mercado fechado. Suas palavras eram quase que analogias diretas sobre como ele lida com clientes indecisos que entram na loja mas não sabem que tatuagem querem, sobre se aprimorar como profissional e muitas dicas para empreendedores e freelancers. O chato disso tudo é que a maioria das coisas que Diguinho falava precisava ser “traduzida” para a realidade do design, mas valeu a pena de qualquer forma.

Santa Motion abriu as palestras depois do almoço e mostrou alguns cases interessantes. Falou também de como o meio digital anda ajudando o que eles chamaram de Novos Transgressores. O pessoal que começa no design seguinte uma tendência de Faça Você Mesmo e que acaba por quebrar os paradigmas estéticos apenas porque desconhecia todo o rigor que existia antes. A Santa Motion falou também da forma com a qual trabalham, onde pensam como seria o produto final e como eles tentam adaptar essa visão ao briefing. Mostraram o ótimo trabalho para a abertura do Acesso MTV e como que funcionou o processo de criação do projeto. Mostraram também o ótimo projeto China’N'Rocks que mistura interactive design com videos e que não sei ainda se já chegou a internet. Mas o case que a Santa Motion apresentou que mais gostei foi o Moment Game, onde você se passa por um fotógrafo de skate passando por toda a evolução da profissão e ainda por todo o trabalho duro que vem junto. Esse é um projeto interno da Santa Motion e eles falaram bastante sobre como que foi desenvolver um projeto onde eles mesmo são o cliente e de toda a dificuldade que vem junto.

Dr. Sketchy at Pixel Show 2009

A primeira palestrante gringa do evento foi Molly Crabapple. Ela que é artista e fundadora do Dr. Sketchy, veio ao Brasil falar sobre seu estilo e sobre sua forma de fazer arte. Ela falou sobre sua paixão pelo trabalho de Toulouse-Lautrec e como que acabou caindo num mundo similar ao dela quando começou a fazer seus desenhos numa boite de Nova Iorque: The Box. Ela falou sobre seu estilo Vitoriano e como ele poderia ser visto como uma analogia para os dias de hoje, além de ter compartilhado um dos segredos do interesse do público pelas suas ilustrações: o detalhamento absurdo que utiliza. Tudo começou com sua paixão quando criança pelos livros de “Onde esta Wally?” e isso acabou se refletindo nas suas telas. Molly comentou também sobre a divulgação que costuma fazer do seu trabalho pelas redes sociais e como que isso acabou se refletindo na audiência do seu Dr Sketchy. Aliás, o Dr Sketchy é uma das melhores iniciativas criativas que eu já vi. Se você nunca ouviu falar, o Dr Sketchy não é nada mais do que a mistura de álcool, burlesco e desenhos. E eles ainda tem uma filial que ocorre aqui em São Paulo!

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Para fechar o primeiro dia veio a palestra da Digital Domain, a minha surpresa do dia. Preciso dizer que não conhecia nada do trabalho deles e ver David Rosenbaum falando sobre como a empresa ganhou o Oscar de Efeitos Especiais com o filme “Estranho Caso de Benjamin Button” me deixou inspirado. David tem 28 anos e começou na Digital Domain como estagiário, de lá ele começou a correr atrás de criar trabalhos pessoais e num lance de sorte e esforço pessoal, acabou se tornando designer na empresa. Dai para Diretor de Criação, imagino que não deve ter sido fácil. Na palestra, David falou sobre uma nova geração de Diretores de Video que são familiarizados com o meio digital e que vem o cinema e video como um negócio em mudança. Lembrei um pouco do papo da Santa Motion em relação aos Novos Transgressores. Ele contou um pouco da sua experiência na produção de Tron Legacy e a dificuldade em se criar o que eles fazem. Entre no site da Digital Domain e veja mais do que eles fazem, vale a pena.

PIXELSHOW 2009

Nelson Balaban abriu o segundo dia de palestrar do Pixelshow. Designer curtibano de 20 anos, ele falou um pouco sobre o preconceito que sofre de algumas pessoas em relação a sua idade e como que o mercado costuma ignorar isso por completo. Afinal, o trabalho dele fala muito mais do que a idade. Um dos pontos que ele se referiu e que pareceu ser um ponto em comum com outros palestrantes foi a realidade do Faça Você Mesmo. Onde o seu esforço pessoal em aprender as ferramentas e técnicas básicas do design, acabam por aprimorar seu trabalho muito mais do que uma faculdade ou um curso. Não que a educação técnica seja menos importante mas ela parece estar tão defasada que o esforço pessoal supera qualquer coisa. Voltando ao Nelson, na sua palestra ele mostrou alguns trabalhos para a FX América Latina, algumas soluções para a criação da marca Patrick and Gum, e o belíssimo video para a Coca Cola Zero que foi desenvolvido na época do último filme do 007. Ele falou um pouco da sua experiência como freelancer internacional para a KDU e me deixou ainda mais fã do cara. Leia a entrevista que fiz com ele antes do Pixelshow aqui.

Martini foi o porta voz da CUBOCC e me deixou ainda com mais vontade de trabalhar lá. Ele contou um pouco da história da agência nos seus primórdios como produtora, sobre como a CUBOCC é uma empresa totalmente voltada para a criação e sobre as 4 palavras chave para o desenvolvimento de um trabalho: imersão, conceito, estratégia e implementação. Mostrou os ótimos cases para a Doritos onde eles viram uma oportunidade muito maior do que a criação de uma embalagem e dai seguiram para um plano de comunicação integrando realidade aumentada, redes sociais e uma nova estratégia de relacionamento com o cliente. Martini mostrou também o processo de criação do Rexona Race e do AxeMusic Star com o seu Mr Pimpa. Uma coisa que me chamou a atenção foi como que eles mostraram que a CUBOCC é uma empresa feita pelos funcionários e não aquele ambiente que costumamos ver em agências onde todos são descartáveis. Acho que foi a primeira vez que vi um Diretor de Criação falando do orgulho que tem em ter uma equipe de jovens como Bruno Fujii e Felipe Rocha, para falar de alguns.

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O Estúdio Árvore foi a surpresa do domingo. Não conhecia nada do trabalho deles e fiquei bem satisfeito com a palestra deles e ainda vou conseguir uma entrevista com eles. Mas vamos lá, o Estúdio Árvore trabalha com design de moda, publicidade e criação. Ótimos trabalhos de ilustração e estamparia dos dois sócios que trabalham juntos desde a V-Room. A relação de Vitor Santos e Rogério Hideki é a raiz do estúdio e ainda bem que os dois se conheceram e resolveram criar design e arte. Uma coisa que gostei bastante foi como eles falaram de algo que anotei aqui como “A Fuga do Delay“. Deixa eu explicar melhor. Como a indústria da moda se renova a cada seis meses, o esforço de um designer dessa área é muito maior do que eu imaginava, o que deixa qualquer profissional a frente de tendências e constantemente fora daquele delay que costumamos ver em outras áreas do design. A inconstância e renovação constante das marcas acabam influenciando tudo na sua vida, gostei muito de saber disso. Outra coisa que me interessou bastante na palestra do Estúdio Árvore foi como eles afirmam, como a CUBOCC, que eles são a equipe que trabalham. Eles falaram muito sobre como fazem para “fomentar o tesão” da equipe e deles mesmos, como evitam o isolamento e como mantem a empresa sob constante gestão criativa.

Desconhecia o trabalho do Sesper até o Pixelshow e sua palestra também me surpreendeu. Ele é vocalista do Garage Fuzz e mostrou muito da sua experiência na cena hardcore dos anos oitenta e como isso influenciou sua vida de artista. Eu postei aqui há uns dias o vídeo que ele apresentou na palestra e vocês podem assistir o filme e babar um pouco. Uma coisa que eu gostei bastante na palestra dele foi quando ele disse que o importante para ele na vida de artista era que ele precisava estar produzindo. Por mais que a história dele tenha sido cheia de altos e baixos, a perseverança foi algo que o manteve num rumo e achei inspirador. Ele falou também sobre o documentário RE:BOARD.TV e, por favor, assistam o vídeo de sua palestra.

PixelShow

Musa Work Lab foi quem fechou o PixelShow e a minha maior decepção. Eu já acompanho o trabalho dos portugueses há alguns anos e achei a palestra deles bem fraca, apesar da qualidade de todos os trabalhos. Não sei ao certo o porquê, mas não consegui me empolgar com a conversa deles. Vejam o site deles e vocês vão ver que eles fazem design com prazer e que tem um trabalho fenomenal mas…

Então por aqui eu fecho minha bizarra review do PixelShow e agradeço bastante a organização da Zupi e do Allan por me deixarem cobrir o evento como parceiro e que fiquei muito orgulhoso de ver o logo do Pristina na porta do evento. Também foi ótimo conhecer algumas pessoas que comentam aqui no blog e, em especial a @Livialira e o @Poows e @Zpll. E que 2010 chegue logo para um PixelShow ainda melhor.

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