Em um mundo cada vez mais eco-consciente, frequentemente buscamos alternativas sustentáveis para os produtos que usamos no nosso dia a dia. Mas e quanto às coisas que usamos sem pensar duas vezes, como a tinta de impressão? É aqui que a Growink, uma biotinta desenvolvida pelo designer de inovação em materiais Peerasin Punxh Hutapheat, entra em cena.
Dos livros que lemos às embalagens que abrimos diariamente, temos tinta em todos os lugares, mas seu impacto ambiental é raramente considerado. As tintas tradicionais à base de petróleo contribuem para a poluição e são difíceis de descartar de forma sustentável.


Growink: Uma solução fúngica para um problema de tinta reciclável
Peerasin Punxh Hutapheat, que estudou na Central Saint Martins de Londres, fez algo novo. Trocou os corantes ruins que vêm do petróleo por cores naturais e vivas que vêm de fungos. Este projeto, atualmente otimizado para serigrafia, combina lindamente ciência, sustentabilidade e design para oferecer uma nova perspectiva sobre como criamos e usamos materiais impressos.
O sistema de cores do Growink é inspirado no conhecido modelo CMYK (ciano, magenta, amarelo, preto), mas tem o nome exclusivo de MYCO, uma referência às suas origens fúngicas. E só assim esse projeto já teria me convencido das suas qualidades, mas ele vai ainda além.
Cada uma das quatro cores é proveniente de um fungo específico:
- Mona (do fungo Monascus) cria uma magenta deslumbrante.
- Yarceps (do fungo Cordyceps militaris) proporciona um amarelo vivo.
- Cholo (da Chlorociboria aeruginosa) produz um ciano impressionante.
- Obscurus (uma tinta auto digestível de Coprinus comatus) produz um preto intenso e intenso.
Esses fungos foram meticulosamente selecionados por sua cor intensa e natureza renovável, oferecendo um impacto ambiental muito mais brando do que as tintas convencionais que existem hoje.



Um Ciclo Natural de Vida e Decomposição
Uma das características mais notáveis da Growink é sua biodegradabilidade. A tinta contém esporos bacterianos inativos que podem ser ativados por condições específicas, como umidade ou um ambiente de aterro sanitário. Uma vez ativados, esses esporos decompõem substratos sintéticos e os convertem em nutrientes, enriquecendo o solo.
Embora o processo de decomposição libere quantidades mínimas de dióxido de carbono e metano, é um ciclo natural. E além de ser altamente eficiente, é significativamente mais ecológico do que a decomposição da maioria dos sintéticos biodegradáveis. Ou seja, mais um ponto positivo.
O comportamento da Growink também se adapta ao material em que é impressa. Quando aplicada em superfícies naturais como papel ou algodão, as cores permanecem brilhantes e duráveis em ambientes internos. No entanto, quando expostos à luz solar direta, os pigmentos desbotam gradualmente. Essa característica promove a reutilização, permitindo que os itens sejam facilmente reimpressos ou compostados, incorporando uma abordagem consciente tanto à utilidade quanto à responsabilidade ambiental.

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O Futuro da Growink e do Design Sustentável
Peerasin Punxh Hutapheat prevê um futuro nos quais as aplicações da Growink vão além da serigrafia e de uma gama limitada de materiais. Seu trabalho pioneiro demonstra como o design inteligente e a inovação científica podem colaborar para solucionar desafios ambientais complexos na indústria gráfica. E precisamos cada vez mais disso.
Se você gosta de design que cuida do meio ambiente, de novos materiais ou de tecnologia boa para a natureza, o projeto Growink foi feito para você. E dá para acompanhar o que está acontecendo no projeto clicando no link abaixo e visitando o portfólio de Peerasin Punxh Hutapheat. Além disso, seu perfil no Instagram parece ter atualizações consistentes sobre esse projeto.