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Fazendo vítimas com design

Acredito que uma forma de criar trabalhos fenomenais é ofendendo as pessoas. Se não ofender as pessoas, que as deixe nervosa de alguma forma. O design do Globo.com fez isso ao mostrar que um layout minimalista facilitava muito a leitura do conteúdo. E funcionou tão bem que hoje vivemos num mundo cheio de clones. O prédio do MASP deixou pessoas furiosas, assustadas e completamente ofendidas. E hoje é uma referência na arquitetura brasileira e um marco na cidade de São Paulo.

Pense no layout do Google, no minimalismo da Apple e você vai ter referências de empresas que resolveram brigar por alguma coisa, ofendendo algumas pessoas e deixando outras completamente nervosas. Isso funciona porque ter um inimigo, uma posição definida, te dá o prazer de ter inimigos e pessoas contra aquilo que você acredita. E isso te separa de todas aquelas pessoas que só querem esperar que alguém faça algo legal para que elas façam a mesma coisa na sequência. As pessoas se entusiasmam com conflitos, isso lhes dá a oportunidade de tomar partidos e se posicionar. Paixões surgem dessa forma e nada melhor do que um cliente apaixanado para chamar mais atenção para seu produto, seu trabalho.

Esse é o tipo de trabalho que não é fácil de vender para seu chefe mas é esse o tipo de trabalho que muda a forma com que você trabalha. Não adianta ceder em todos os detalhes também, já que dessa forma você acaba perdendo a identidade inicial de tudo. Se você quer fazer algo realmente interessante, você precisa estar preparado para proteger sua ideia com argumentos, algo essencial para qualquer designer.

Vivemos num mundo onde tudo que era fácil já foi feito. Onde aqueles trabalhos de destaque são acusados de plágio em minutos e onde outros se tornam referência porque resolveram questionar o status quo.

Você quer seguir ou você quer liderar? Só você pode tomar essa decisão.

Post originalmente feito pra o Facebook da Volvo: Fazendo design com vítimas by Volvo Cars Brasil

1 thought on “Fazendo vítimas com design”

  1. Além de gostar muito do texto me fez lembrar o recente Museu Iberê Camargo http://b.martinspf.com/hLJgC3 que “deixou pessoas furiosas, assustadas e completamente ofendidas” as pessoas da zona sul de Porto Alegre, inclusive por estar à margem e colocar pequenas janelinhas para o que o porto alegrense acha seu maior cartão postal, o Guaíba.

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