O martelo costuma ser visto como uma ferramenta de demolição e, por isso mesmo, quando vi o trabalho de Simon Berger, eu sabia que estava vendo algo diferente. Ele emprega o martelo como um instrumento de precisão, criando, dessa forma, retratos que transcendem o realismo.
É fascinante observar a capacidade de introduzir uma certa inovação ao utilizar vidro, um material tão antigo. Ainda mais quando isso adiciona um elemento de anti-criação, já que o lado destrutivo do martelo acaba produzindo esses retratos.
Mas a vida artística de Simon Berger não começou com o vidro. Iniciou sua trajetória como carpinteiro e investigou as potencialidades da madeira até descobrir a si mesmo nos materiais recicláveis. Especificamente o vidro do para-brisa de um automóvel.



Quando ele começou a explorar as possibilidades do vidro laminado de segurança, Simon Berger descobriu que poderia transformar a fragilidade inerente do vidro na sua principal força estética. O que mais me surpreendeu nessa sua técnica de arte é como ela parece impossível de ser realizada.
Afinal, os retratos criados por Simon Berger são compostos de milhares de rachaduras. E, de certa forma, me lembra o processo biológico chamado morfogênese. Este processo é visível em telas de vidro, resultando em fraturas que poderiam ser comparadas a pinceladas.
Esse processo de criação consiste em um impacto de precisão. Simon Berger golpeia o vidro com uma força calibrada para criar diferentes níveis de opacidade. Pelo que entendi, quanto mais próximos e breves foram os golpes, mais forte será o contraste. E como essas fraturas no vidro são feitas em um material de segurança, os fragmentos permanecem unidos por uma camada de plástico. A luz reflete nas microfissuras internas do vidro, proporcionando uma profundidade que a pintura convencional não consegue reproduzir da mesma maneira.






No trabalho artístico de Simon Berger, o vidro não é apenas um suporte passivo, ele é um participante dinâmico. A transparência do material permite ao artista explorar diferentes perspectivas e uma certa profundidade. Esta profundidade abre novas oportunidades, pois à medida que o observador se desloca ou a luz do ambiente se altera, o retrato reage de uma maneira.
Hoje, Simon Berger é reconhecido internacionalmente como um artista pioneiro. Suas obras, que variam de peças para galerias a instalações públicas, fazem parte de coleções na Europa e nos Estados Unidos. Elas mostram que a beleza pode estar nas coisas imperfeitas. Também mostram que inovar precisa de coragem para perguntar o que já está estabelecido.



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