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Entrevistando Nelson Balaban EntrevistaFelipe Tofani on 09/10/2009

Nelson Balaban tem 20 anos e é daqueles designers que todo mundo deveria usar de referência. Ele fala nesse fim de semana no PixelShow e abaixo vocês podem ler a entrevista que fiz com ele via e-mail.

1. Vamos começar as coisas perguntando a mais básica das perguntas: Quem é Nelson Balaban e como você começou sua vida como designer?

Eu sou um Curitibano que nos últimos 3 anos tem desenvolvido uma curiosa técnica de não dormir por alguns dias; minha vida é baseada em muito trabalho, errose acertos. Bati, bato e ainda vou bater muito a cabeça por aí nessa busca constante daqueles que não se acomodam. Por enquanto o que me faz sentir vivo além das coisas simples, é tudo o que abrange arte e design. Acho que tive a percepção desenvolvida muito cedo daquilo que é bom e bonito, daquilo que pode ser aperfeiçoado e daquilo que é um saco de merda. Não existe nada mais do que isso.

2. Para aqueles que não tem nem ideia do que você faz, poderia falar algum dos vários projectos que você participou? Qual aquele que você mais se orgulha?

Tenho muito interesse e por isso procuro muito participar de qualquer tipo de projeto que eu ainda não tenha experimentado. Acredito que todo designer tem vontade de trabalhar com motion… acho que essa foi uma das melhores experiências. Ultimamente tenho trabalhado com design, pensando no produto final, o que é preciso pra que determinado público venha se interessar pelo material – logo, pela marca – que eu estou trabalhando. Essa semana trabalhei exaustivamente num projeto que, se for aprovado, vai ser de muito orgulho: é a criação (desde identidade visual, grids até o conteúdo) de um caderno especial para um jornal de 90 anos de circulação.

xtrabold.net

3. Você só tem 20 anos, como acabou entrando nesse mundo de design?

Com muita vontade, persuasão, sorte e, como dizem alguns por aí, pretensão, haha. As pessoas confudem pretensão com auto-confiança, e acabam esquecendo dessa. Auto-confiança é o que me fez me tornar um profissional tão cedo, porque acreditei que eu poderia aprender e então provar que eu sabia. Muita gente acreditou e aposta em mim até hoje, por isso acho que além de saber da importância da persuasão eu preciso entender que não sou nada sozinho.

4. Como lida com a pressão do mercado ao trabalhar com clientes internacionais?

A única pressão que eu realmente tenho é o tempo. Quem trabalha sozinho sofre com a falta de tempo… as coisas vêm e vão rápido, e eu tenho que percerber rápidamente o que tá acontecendo e já dar início ao processo criativo. Acredito que não importa qual é o tamanho da empresa que você tá trabalhando, se é nacional ou internacional, aqui de Curitiba ou com filial em 72 países… a responsabilidade é sempre alta.

5. Você é um dos poucos brasileiros que fazem parte da KDU, como que isso aconteceu e como é trabalhar com eles?

O KDU é uma família onde o modelo de negócio tem um estilo peculiar nova-iorquino… as pessoas se ajudam, trocam contatos de editores de revista, de clientes, de marcas. Existe um núcleo que poucos membros fazem parte, e é onde os projetos são executados… geralmente temos muito pouco tempo: chega o e-mail às 4 da manhã aqui no Brasil, às 11 da noite lá em LA, às 9 da manhã lá na Polônia, e todo mundo trabalha e entrega algum estudo ou alguma alteração em poucos minutos. É um grupo pró ativo, sempre disponível, que troca idéias o tempo todo e trabalha com projetos de moda, exibições de arte em lançamentos de produtos, publicações como revistas e livros, idealização de eventos e construção de marca.

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6. Seu trabalho é daqueles que inicia tendências, como você lida com isso tudo e o que faz quando tem que começar um trabalho e não tem ideia nenhuma?

Penso que todos somos vítimas de tendências, conscientemente ou não. Michael Jackson sim era um trend-setter :) Quando acontece um vácuo de ideias, geralmente eu dou uma volta e tomo um banho. Dificilmente o sistema entra em pane… é só não deixar cair na rotina, e ver o trabalho como obrigação.

7. O que você mais gosta no seu trabalho? E aquilo que você menos gosta?

O que eu mais gosto nisso é poder fazer o que eu gosto 24/7. O que eu menos gosto são recém-formados em marketing com especialização em direção de arte e seus termos bizarros.

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8. Lembro de ver no seu twitter quando mencionou um plágio de alguns elementos de um trabalho seu, como você lida com isso?

Fico puto, hehe. Mas tem que saber lidar com isso da melhor maneira possível… é fácil se queimar nesse mercado. Mas às vezes cabe mencionar a mãe do responsável :)

9. Numa Computer Arts de uns meses atrás, você falou sobre a banda Tool e como que a música deles inspira seu trabalho. O que mais te inspira?

Não costumo ter aquele tipo de inspiração momentânea… eu tô sempre inspirado. Às vezes esqueço de tudo e dou um tempo, desligo o computador por uns dias e saio com meu fígado pra passear. Isso faz bem.

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10. Apesar de tudo, você é ainda um designer bem novo no mercado, como você se vê daqui a 10 anos?

Eu vivo um dia de cada vez, não gosto de fazer planos, eles sempre dão errado. Me disseram que o segredo é nunca parar… eu espero nunca ter que parar. Por isso daqui 10 anos espero estar trabalhando.

11. E, para todos os leitores que gostam do seu trabalho, alguma dica/sugestão/conselho que você possa dar a eles?

httpv://www.youtube.com/watch?v=STSCK6vHouE

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