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Uma Entrevista com Elvis Benício

Conheci o Elvis Benício da mesma forma que eu conheci o Arthur Kjá. Tudo aconteceu em um dos Pixel Shows que costumava ir quando morava em São Paulo. Tudo aconteceu por volta de 2009 quando ele pediu para tirar uma foto comigo dizendo que lia o Pristina.org. Tenho certeza de que achei isso estranho e que nunca vi essa foto.

Acabou que ficamos amigos, estudamos juntos n’A Missa da Perestroika, palestrei na faculdade que eles estudou em Volta Redonda e trocamos e-mails com uma certa frequência. Acabamos nos encontrando tantos nos anos seguintes que já o considero de casa. Isso pode ser também por que eu já publiquei o trabalho dele aqui inúmeras vezes. Além dele já ter até publicado um artigo aqui, sorteado uma das suas canecas e até mesmo feito o cartaz do Primeiro Encontro Behance Brasil.

Entrevistamos o grande Elvis Benício sobre seu estilo de ilustração e seu trabalho como designerEntão, quando pensei em fazer uma entrevista com ele, as perguntas vieram fácil. Conheço bem o trabalho dele e tinha que conseguir respostas para as perguntas que sempre estiveram na minha cabeça.

Como você enxerga a mudança no seu trabalho quando você saiu do interior do Rio para São Paulo?

Amadurecimento profissional e profundidade criativa. São Paulo oferece grandes oportunidades e desafios, te deixa mais esperto em diversas situações. Nesses últimos anos tive sorte de trabalhar com profissionais e clientes que me “empurraram pra frente”, quero dizer, me tiraram da zona de conforto na entrega de projetos. Esse fator foi crucial para aprimorar o refinamento nos trabalhos, buscar novos conhecimentos e técnicas, além de ampliar meu repertório.

Por outro lado, o mercado criativo no interior é promissor. É como uma terra fértil a ser arada e semeada. Tenho amigos na área criativa, por exemplo, que optaram por permanecer no interior e realizam ótimos trabalhos. Acredito que atualmente a geografia não é um potencializador de criatividade. Se é preferível trabalhar no interior ou numa cidade grande..bom, no final, tudo é uma questão de escolha e consequência.

Durante muito tempo você gerenciava sua vida universitária e seu trabalho de freelancer, como foi lidar com isso tudo?

Ter uma vida como freelancer e universitária implica abrir mão das 8 horas de sono. Tudo é questão de organização e prioridades. Uma coisa que me ajudou nessa época a gerenciar meu tempo foi um cronograma rabiscado à mão colado na porta do quarto. Quando se trata de datas e entregas, particularmente prefiro utilizar meios analógicos do que os digitais.

Entrevistamos o grande Elvis Benício sobre seu estilo de ilustração e seu trabalho como designerVocê se sentiu preparado para o mercado quando saiu da universidade?

Na faculdade em que formei (UniFOA/RJ) tive uma boa base, suporte e apoio dos mestres, isso me ajudou bastante na hora de encarar o mercado fora da sala de aula. Além disso, sempre arrisquei participar de cursos e eventos na área, isso foi primordial como preparo para o que viria pela frente.

Seu estilo de ilustração tem um visual fluido, meio orgânico. Como você chegou nesse visual?

Assim como na música, o improviso é algo que me chama atenção. Ter o design como base, me ajuda a montar uma estrutura sólida de ideias e elementos para depois, desconstruir e buscar algo fora do padrão. Acredito que meu estilo vem se moldando através desse fascínio por improviso das formas fluídas fora do comum.

Gosto de ver elementos analógicos e digitais nas suas ilustrações e layouts, é tudo planejado ou vem naturalmente?

Improvisado.
Entrevistamos o grande Elvis Benício sobre seu estilo de ilustração e seu trabalho como designer

Mas como que tu improvisa suas ilustrações? Tu visualiza algo na cabeça e vai tentando chegar lá ou tu vai sem direção e espera chegar em algum lugar legal?

Então, eu primeiramente crio os insumos. Seja uma tinta scaneada, tinta óleo, rabisco no papel, etc… Tendo isso em mãos eu jogo tudo na tela, faço uma mistureba só. Tenho uma ideia inicial na cabeça, e vou limando as coisas aqui e ali chegando num resultado qeu eu olhe e sinta algo no peito (tipo um : WOW!) dae deixo o feeling guiar o restante. Deixo a peça de molho por um tempo, faço outra coisa enquanto o periodo de incubação me fornecer um visao diferente. Volto para a peça tempo depois (após horas ou dias ou minutos) e vejo com olhos de outra pessoa, como se não fosse eu quem fez aquilo, assim tenho uma critica mais profunda, sem apego. Se bater algo, se eu curti, é aquilo ali e pronto. É um processo meio de Artista Plastico, mas acredito que tem uma concepcao conceitual propria nisso tudo.

Vejo alguns trabalhos para fora do Brasil no seu portfólio, como foi que é trabalhar para um mercado exterior e como isso aconteceu contigo?

Trabalhar com um mercado estrangeiro é sempre um aprendizado, além de manter o inglês em dia (rsrs). Você aprende a lidar com outras culturas e valorizar seu trabalho. Graças a exposição dos meus trabalhos no Behance, tive meu projeto para fora do país em meados de 2009. Isso ajudou a abrir novas portas.
Entrevistamos o grande Elvis Benício sobre seu estilo de ilustração e seu trabalho como designer

Como já acompanho seu trabalho há anos, sempre fiquei curioso para saber de ti como que a internet e as mídias sociais te ajudaram a chegar onde você está hoje.

A mídia social é importante para revelar o que o profissional está atuante e em movimento, porém presença digital somente não basta. É importante ter uma causa, um propósito, o “por quê” de se estar divulgando algo. Ter esse propósito é ser verdadeiro e transparente consigo mesmo. Isso acaba refletindo no modo como outras pessoas enxergam você e seu trabalho. Você é como você se mostra ser. Afinal de contas, ninguém quer ver desinteressante e sem verdade na timeline.

O que mais te influencia no seu dia a dia como designer?

Observação de tudo que me rodeia, desde a organização da mesa até uma ilustração no muro do prédio abandonado ao lado.
Entrevistamos o grande Elvis Benício sobre seu estilo de ilustração e seu trabalho como designer

O que você anda fazendo hoje em dia e qual foi o projeto mais legal que executou nos últimos meses?

Hoje estou trabalhando como Head of Art na Agência YO em São Paulo, com uma equipe multidisciplinar, criativa e engajada. Em paralelo, estou desenvolvendo um projeto de design gráfico e branding para um cliente da Austrália no qual considero o mais empolgante e desafiador da minha carreira.


Saiba mais sobre o trabalho do Elvis Benício no seu novo site ou no Behance e acompanhe o que ele fala direto no facebook.