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Artur ‘Kjá em entrevista

Artur ‘Kjá é um designer carioca, mas seu trabalho poderia ser facilmente descrito como arte gráfica. Se é que esse termo faz sentido. Ele mistura colagens, ilustrações, tipografia e seja lá mais o que for numa espécie de surrealismo urbano que gosto bastante.

Acredito que conheci o Artur ‘Kjá em um dos Pixel Shows que fui em 2006 ou em 2007. Não lembro que ano que foi mas lembro que ele era uma espécie de MC do evento. Conversei com ele depois sobre música e sei lá mais o que e comecei a acompanhar o que ele fazia pela internet. Os anos foram se passando e, na semana passada, recebi um e-mail dele sobre o relançamento do seu portfólio online. Dei uma olhada no que vi por lá e resolvi colocar uma ideia em prática e acabei convidando o Artur ‘Kjá para ser entrevistado sobre seu trabalho aqui no Pristina.org. Abaixo você pode ver um pouco do seu trabalho e entender um pouco do que passa na cabeça do designer Artur ‘Kjá.

Uma entrevista com Artur Kja 01

Uma entrevista com Artur Kja 02

Como você começou a trabalhar como designer?

Putz, é uma longa história que vou tentar encurtar… só conheci o design com 25 anos, quando minha namorada – hoje esposa – viu que minha ‘diversão’ no computador era ‘criar cartazes para festas imaginárias’. Como não tenho paciência para jogos (só GTA, sem completar missão!), meu passatempo era criar pôster para eventos da minha cabeça. Ela viu e falou que eu tinha jeito para design, coisa que eu nem sabia o que era devido a minha … ããnnn.. digamos ‘educação roots’, hahahaha.

Depois dela me indicar um curso para conhecer o que é o Design, agarrei a oportunidade de fazer mil coisas diferentes em um mesmo dia com unhas e dentes… naquela época já era consciente que não lido bem com rotina, e o design é libertador para pessoas que, como eu, buscam mais da vida do que apenas ‘bater ponto’ ou ‘pagar as contas’. Eu busco criar o que ainda não vi. Não sei se vou conseguir, mas a busca já tá valendo!

O que mudou mais durante seus anos de trabalho?

Acho que a profundidade do pensamento. Antigamente eu explorava mais o impacto visual, o gráfico… agora tento levar o pensamento artístico, que são as leituras em diversas camadas, para o trabalho comercial. Ah, e o ‘Design Thinking’.

Hoje isso se reflete quando o job solicitado é apenas visual e eu desenvolvo todo o posicionamento de um novo restaurante ou auxilio na criação de um novo produto para um cliente. Tem projeto que me envolvo até organograma da empresa! Isso é legal porque amplio o meu campo de pesquisa e acaba interferindo em todo processo criativo, dando maior força aos projetos.

Uma entrevista com Artur Kja 03

Gosto muito do lado experimental do seu trabalho e queria saber como você consegue equilibrar esse lado experimental com o lado mais comercial.

Na verdade o experimental se tornou um pilar do meu trabalho. Antigamente eu ia colocando uma pitada de textura, de interferência ou de força tipográfica, até conseguir emplacar bons resultados para grandes clientes. Assim fui construindo um portfólio que me dá vontade de acordar para trabalhar e continuar a explorando meus limites visuais.

Para isso acontecer, perseverança e otimismo foram fundamentais para romper paradigmas e criar uma reputação/imagem. Hoje temos milhões de ‘artistas-designers-criativos’ no mercado e ter PERSONALIDADE PRÓPRIA cada dia é mais valorizado por quem busca um trabalho exclusivo e autoral.

Como o skate e o hardcore influenciaram seu trabalho como designer?

Na verdade o skate e o hardcore SÃO MINHA VIDA. Sem o ‘go for it’ do skate ou sem a ‘atitude mental positiva’ do hardcore não teria enfrentado todas as adversidades que é ter um estúdio independente, apenas com a vontade de propagar o caos criativo.

Sempre fui movido pelo DIY, criando desde camisas para mim até intervenção urbanas, antes mesmo de saber que o que eu fazia era considerado Arte ou Design. E tudo isso vem da necessidade de existir plenamente que o skate e o hardcore inspiram.

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Vendo seu portfólio, dá para ver algumas formas não muito ortodoxas de trabalhar. Como você chega nessas ferramentas e técnicas?

É a minha sina: TESTAR O QUE EU NÃO FIZ. Nem sempre o resultado é o esperado, mas a busca sempre abre portas para novas formas de comunicar um mesmo conceito.

Como estou sempre ‘a procura’, acabo formando boas parcerias que me proporcionam essas experiências, como é com o Grupo Stamppa, onde eles me disponibilizam toda sua estrutura para a concepção de trabalhos únicos, como foram os desenvolvidos para a RESERVA e o livro do Fausto Fawcett.

Parcerias que ampliam o campo de pensamento e visão são essenciais para a minha trajetória criativa. Para o que busco como legado de existência.

Uma entrevista com Artur Kja 05


Aproveite para conhecer o trabalho do Artur ‘Kjá no www.hc1506.com e no behance.